Tocamos o céu quando colocamos nossas mãos num corpo humano. - Novalis. ( pseudônimo de autor Frederich von Hardenberg, 1772. citado em Miscellaneuos Essays, vol. II, de Thomas Carlyle. citado posteriormente por Ashley Montagu em Tocar_o significado humano da pele.)
Essa frase retoma a importância de algo essencial. Pensar o corpo. No toque de nossos corpos. No carinho. No afeto. Sua importância nas relações humanas. Num tempo onde a velocidade da velocidade dos corpos que não param e nunca se encontram (aceleração). O corpo ausente, sempre com pressa.
A modernidade exaltada por inúmeros artistas, futuristas, modernistas, arquitetos. A cidade que cada vez mais "facilita" a vida cotidiana. Botões são criados. Telefones de bolso que mantêm as pessoas em contato. Computadores que diminuem distâncias e aproximam os povos. Os computadores melhoram nossas vidas. Stephen Hawking, um bom exemplo, cria teorias sobre o universo e ao mesmo tempo é incapaz de realizar tarefas simples. Viver para ele é depender do computador.
Em meio a inúmeras questões sobre as mãos.
Como imaginar um trabalho que trate a mão, não pela sua presença, mas pela ausência? Uma ausência que nos leve a imaginar, criar e refletir sobre a sua importância. Que questione a presença do corpo pela falta. Mesmo que o corpo esteja ali, mas de uma outra forma. Uma foto, um holograma, uma parte... Como? Pergunto-me.
Assim surge essa proposta de entregar o trabalho com minhas próprias mãos. Mãos virtuais.
Paul Virilio, em seu livro " Espaço Critico " no capitulo A dimensão perdida, trata a ausência do ponto. Só pensamos num ponto do espaço quando nos damos conta da sua ausência. Como o buraco negro: a não continuidade de algo que aparentemente é continuo. Assim por que nos instigamos por aquele ponto que é apenas um buraco negro e obscuro? O obscuro nos leva a imaginar, a preencher a falta do ponto. Criar as possíveis coisas que existem dentro do buraco. A ausência de pensamento ou o esquecimento é o paralelo, segundo Virilio. Assim como o ponto, o lapso de memória é a nossa forma de se apropriar do tempo e assim criar, imaginar, inventar.
Friday, October 21, 2005
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6 comments:
bruno
valeu! gostei muito.cleide
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