Sunday, June 10, 2007

Colecionador de pensamentos

Nunca idéias justas, justo uma idéia. Godard

Thursday, May 03, 2007

outra carta.

Existe um brado engasgado em meu baço que num rompante seria capaz de destituir o exército americano.
Meu desejo, intuito, vontade mesmo, seria de matá-la num grito.
Repito aqueles versos nobres de Tom Zé, "pegue junte tudo, passe vaselina, enfie soque e meta..."
Dificil aturar tanta coisa calado.
Socaram e meteram em meu tanque tudo que podiam, mas agora tá voltando.
A minha e a sua imatura verde idade irrita nervos serenos de Buda.
Falta-lhe compreenssão do que é liberdade.
Liberdade e paz, esse lema contemporâneo e medieval, não passa de dizeres fétidos e pestilentos.
Criticas o ocidentalismo, suas superficialidades, mas no fundo, sua alma está tão colada nisso que não conseguirá se desvinciliar. Não negue seu passado, seu berço foi desenhado por essas mesmas mãos conservadoras. "Um galho de árvore não pode ser enxertado de um tronco velho sem pegar seu cheiro". Não sou virtuoso. Eu mesmo posso me acusar de tais coisas que seria melhor eu nem ter nascido. Mas agora, me esquece. Vá para um convento. E afirmo que não existirá mais casamentos. Nunca mais. Preciso viver sem pensar que essa possibilidade seja viável. O nosso ninho de amor está vazio. Frio. Gélido. Vê se me esquece. E não volta mais.
Vá para um puteiro. Vá, sua ...
Se me encontrar por aí estarei atirando tintas pelos outdoors de São Paulo.
Se me vir por aí estarei masturbando terços para o Papa.
Unam-se à mim, vamos montar um Igreja Evangélica com apoio e patrocinio da Lei Rouanet, Jesus no céu, dizimo na terra.
Fui até a esquina ver se você estava lá e só assim me encontrei.
Fui praquemepariu e chorei.

Tuesday, January 02, 2007

discurso último do Grande Ditador ( Charles Chaplin)


Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

aos antialcoólicos, um lembrete.

"Os antialcoólicos são uns pobres infelizes prisioneiros da água, esse veneno terrível que, de tão solvente e corrosivo, foi escolhido entre todas as substâncias para ser a que lava e limpa, e um gota de água num liquido claro como o absinto apenas serve para elameá-lo."

Alfred Jarry